terça-feira, 19 de maio de 2009

O DIVÓRCIO E O SEGUNDO CASAMENTO

Pastor Jônatas Martins Lopes

Jesus legalizou ou condenou o segundo casamento?
Permitam-me os amados leitores a omitir minha opinião. Procurei apenas fazer uma exegese dos textos bíblicos que tratam do assunto.

A lei do Antigo Testamento permitia o divórcio (do grego apolyō ou apostasion) que entre outras coisas significam livrar e abrir mão se alguma coisa indecorosa fosse achada numa pessoa, mas não o permitia ao homem que fora obrigado casar-se com uma moça que violentara (Deuteronômio 22: 28-29) “Quando um homem achar uma moça virgem, que não for desposada, e pegar nela, e se deitar com ela, e forem apanhados, então, o homem que se deitou com ela dará ao pai da moça cinqüenta siclos de prata; e, porquanto a humilhou, lhe será por mulher; não a poderá despedir em todos os seus dias”.

Os versos 13-19 deste capítulo dão-nos a entender que no caso do namorado ou do noivo de uma virgem tirar sua virgindade, o casamento tornava-se obrigatório, não podendo este divorciar-se dela (v 19) “E o condenarão em cem siclos de prata, e os darão ao pai da moça, porquanto divulgou má fama sobre uma virgem de Israel. E lhe será por mulher, e em todos os seus dias não a poderá despedir”.

No Novo Testamento as duas palavras apolyō e apostasion têm o mesmo sentido que no Grego Clássico, e aplica-se especialmente ao divorciar uma pessoa (Mateus 1: 19; 5: 31-32; 19: 3,7-9; Marcos 10: 11-12; Lucas 16: 18).

O divórcio era perfeitamente aceito nos tempos do Novo Testamento pelo judaísmo. O marido tinha plena liberdade de despedir sua esposa entregando-lhe carta de separação judicial. Mesmo assim eram muito discutidos os motivos justos para que o homem viesse a divorciar-se de sua mulher, entre as duas escolas rabínicas que permitiam o divórcio somente por causa do adultério ou da incompatibilidade conjugal.

O ensinamento de Jesus em (Marcos 10: 2-12) afirma que o propósito de Deus na criação era que o marido e sua mulher se tornassem uma só carne, e por isso os homens não deviam separar o que Deus ajuntou. Mesmo assim reconhece que Moisés permitiu o divórcio por causa da inflexibilidade do coração do homem. Jesus deixa claro neste texto que o divórcio é incompatível com a vontade de Deus. Na discussão que se seguiu, Jesus explica porque o divórcio é errado, definindo-o em termos de adultério. O homem que se divorcia e casa-se de novo comete adultério. Se aceita comumente que Jesus ao dizer isso estava indo além do conceito judaico do adultério como ofensa contrária ao cônjuge. Jesus declara que a esposa fica no mesmo nível que o marido, pois as relações d’ele com outra mulher era adultério contra ela. O mesmo princípio se aplica em (Marcos 10: 12) a uma mulher que se divorcia do seu marido e se casa de novo. (Lucas 16: 18) levanta o mesmo argumento que (Marcos 10: 11), e ressalta que o homem que se casa com uma divorciada comete adultério contra o ex-marido desta. - (Mateus 19: 9) concorda com (Marcos 10: 11), permitindo, porém, uma exceção, “por causa do adultério”. Muitas vezes tem-se pensado que se tratasse de uma modificação do ditame de Jesus pela Igreja Primitiva, a fim de ajustar o seu ensino ao da Escola Rabínica de Shamai, e assim permitir a um marido casar-se novamente sem a culpa do adultério. Um ponto de vista alternativo é que o adultério em questão é a má conduta de uma noiva antes do casamento. Neste caso a lei judaica permitia que o casamento não fosse concretizado. Antes de José casar com Maria descobriu que ela estava gravida, e conforme esta lei sentiu-se no direito de se separar dela, mas, sua noiva estava isenta de adultério (Mateus 1: 18-20).
O apóstolo Paulo reafirma o ensinamento de Jesus dizendo que somente após a morte do cônjuge, a pessoa tem o direito a um novo casamento: “porque a mulher que está sujeita ao marido, enquanto ele viver, ela está-lhe ligada pela lei, mas morto o marido, está livre da lei do marido. De sorte que, vivendo o marido será chamada adultera se for doutro marido; mas morto o marido, livre está da lei e assim não será adultera se for doutro marido” (Romanos 7: 2-3) e, repete os mesmos ensinamentos em (I Coríntios 7: 10-11) “Todavia aos casados, mando não eu, mas o Senhor, que a mulher não se aparte do seu marido, Se, porém, se apartar, que fique sem casar ou reconcilie com o marido, e que o marido não deixe a mulher.”, (compare Marcos 10: 8-9).

Não se pode também se esquecer à questão do perdão, parte fundamental na vivência a dois, e que Jesus procurou deixar muito claro, tanto na oração do Pai Nosso (Mateus 6: 12) como em outras oportunidades. No (v 15) do texto em questão Ele disse: “Se, porém, não perdoares aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas”. Em (Mateus 18: 23-35) Jesus conta a parábola do credor incompassivo, nos ensinando que uma pessoa pode ficar sem o perdão divino por ter um coração cheio de amargura, que não perdoa o próximo. Em (Marcos 11: 25-26) Ele disse que se eu não perdoar, não serei perdoado por Deus. Em Hebreus 12: 14-15, diz: “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor, Tendo o cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus, e que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem” (compare Lucas 17:3-5).

Quanto a Atos 17: 30, normalmente citado como argumento “aos tempos da ignorância”, nada tem a ver com o divórcio, ou ainda, com o segundo casamento. É só voltarmos ao v 16 e ss e vamos encontrar o Apóstolo Paulo preocupado única e exclusivamente com a idolatria dos habitantes daquela cidade. O perdão de Deus aqui está condicionado ao ARREPENDIMENTO. “Mas Deus não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens e em todo o lugar, que se ARREPENDAM”. O texto não diz que Deus passou por cima daquilo que Ele mesmo estabeleceu, mas, “que se arrependam”.

CONCLUSÃO.

Finalizando, vamos analisar Tiago capítulo três, verso quatorze que comenta sobre o “sentimento faccioso”, Esta palavra fala de sedição, ou de quem sendo ligado a outrem por estatuto ou por lei, vive divergentemente. Parece ser uma semente de ódio e amargura colocada por Satanás no coração humano difícil de ser resolvido. Exigindo da pessoa acometida por este espírito do mal, muita oração, jejum e uma entrega incondicional a Jesus. Só assim questões como as que acabam de ser analisadas, terá o fim proposto por Deus.

Espero não polemitizar o assunto, mas, colaborar para melhor conhecermos a vontade soberana de Deus no casamento, a estabilidade da família, na educação dos filhos e a felicidade do cônjuge, e, assim possamos chegar a uma solução armoniosa e aprovada por Deus. Amem.


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